Lesões na corrida: as mais comuns e como prevenir | Pro Esporte SBC
Dor no joelho, canelite, Aquiles ou calcanhar? Veja as lesões mais comuns na corrida, os sinais de alerta e como prevenir. Avaliação no Centro de SBC.

Lesões na corrida: as mais comuns, os sinais de alerta e como prevenir
Correr é uma das formas mais simples de cuidar da saúde, mas o corpo cobra quando a carga sobe rápido demais. Uma revisão sistemática de 2021 encontrou que, em média, cerca de 40% dos corredores acompanhados nos estudos tiveram alguma lesão no período, a maioria por sobrecarga e não por trauma.
Joelho, tornozelo e perna concentram a maior parte dos problemas. A boa notícia é que boa parte dessas lesões dá sinais antes de parar o treino, e muitas podem ser evitadas com ajustes simples na rotina.
Neste artigo, você vai ver quais são as lesões mais comuns na corrida, por que elas acontecem, quando é hora de procurar um ortopedista e o que a ciência mostra sobre prevenção. Vale para quem está começando, para quem treina para uma meia maratona e para quem voltou a correr depois de uma lesão.
As lesões mais comuns na corrida
Seis condições aparecem com mais frequência nos estudos com corredores. A dor patelofemoral é a mais prevalente, e a tendinopatia do Aquiles é a que mais surge em estudos que acompanham corredores ao longo do tempo.
Se a sua dor é no joelho, leia também Dor no joelho: quando procurar um ortopedista em São Bernardo do Campo (abre em nova aba). Se é no calcanhar, veja Dor no calcanhar pode ser fascite plantar? (abre em nova aba)
Uma lesão que merece atenção especial é a fratura por estresse, uma fissura no osso causada por repetição de impacto. Ela é menos comum, mas não deve ser tratada como "só uma dor" (veja os sinais de alerta abaixo).
Por que corredores se lesionam
Na maioria dos casos, a lesão vem de um descompasso entre a carga do treino e a capacidade do corpo de absorver essa carga. Músculos, tendões e ossos se adaptam ao treino, mas cada tecido tem seu tempo.
Um único treino longo demais pode ser o gatilho. Um estudo publicado em 2025 no British Journal of Sports Medicine acompanhou mais de 5.200 corredores amadores por 18 meses, com dados de relógios GPS. O risco de lesão por sobrecarga subiu quando uma corrida passou de 10% da distância do maior treino feito nos 30 dias anteriores:
- Aumento de 10% a 30%: risco 64% maior
- Aumento de 30% a 100%: risco 52% maior
- Mais que o dobro da distância: risco 2,3 vezes maior
Na prática: se o seu maior treino do último mês foi de 10 km, pular para 14 km num fim de semana já coloca você numa faixa de risco maior.
Lesão anterior é o principal fator de risco. Quem já se machucou tem mais chance de se machucar de novo, principalmente quando volta a correr antes de recuperar força e controle de movimento.
Iniciantes se machucam mais. Estudos estimam cerca de 18 lesões a cada 1.000 horas de corrida em iniciantes, contra cerca de 8 em corredores recreativos com mais experiência.
Outros fatores também contam: pouco descanso e sono, mudança brusca de terreno ou de tênis, aumento de treinos de velocidade e subidas, e força insuficiente nos músculos que mais trabalham na corrida, como panturrilha, quadríceps e glúteos.
Sinais de alerta: quando parar e procurar um ortopedista
Um desconforto leve que some no dia seguinte costuma fazer parte do treino. Procure avaliação ortopédica se notar qualquer um destes sinais:
- Dor que piora durante a corrida ou faz você mudar o jeito de pisar
- Dor num ponto específico do osso, que dói ao apertar (pode indicar fratura por estresse)
- Dor em repouso ou que acorda você à noite
- Inchaço, estalo com dor, travamento ou sensação de o joelho "falsear"
- Entorse em que você não consegue apoiar o pé depois
- Dor que continua por mais de duas semanas mesmo reduzindo o treino
Correr "por cima" da dor costuma transformar um problema de semanas num afastamento de meses. Quanto antes o diagnóstico, mais chance de tratar sem parar totalmente de correr.
Como prevenir lesões na corrida
Controlar a carga é a medida com melhor respaldo científico. As outras ajudam, mas não compensam um aumento brusco de volume.
- Aumente a distância aos poucos. Use como referência o seu maior treino dos últimos 30 dias e evite passar dele em mais de 10% numa única corrida. Isso vale especialmente para o longão de fim de semana.
- Fortaleça panturrilha, coxa e quadril. O treino de força melhora a economia de corrida, ou seja, você gasta menos energia em cada passada. Para prevenir lesões em corredores, os estudos ainda são mistos, mas programas supervisionados por profissionais mostraram resultados melhores do que os feitos por conta própria.
- Respeite a recuperação. Dias leves, sono e alimentação adequada fazem parte do treino. Evite concentrar treino de velocidade, subida e longão na mesma semana em que você aumentou o volume.
- Volte de lesão com critério, não com pressa. Ausência de dor não significa que a força e o controle de movimento já voltaram. O retorno deve ser progressivo e orientado.
- Escolha o tênis pelo conforto. A troca de tênis tem influência menor no risco de lesão do que a carga e a força. Se for trocar de modelo, faça a transição aos poucos.
- Faça uma avaliação antes de grandes objetivos. Antes de uma prova longa, como uma meia maratona, uma avaliação de força, pisada e movimento ajuda a identificar pontos de atenção enquanto ainda há tempo de ajustar o treino.
Avaliação para corredores em São Bernardo do Campo
Na Clínica Pro Esporte, no Centro de São Bernardo do Campo, o corredor é avaliado por ortopedia e fisioterapia no mesmo lugar, com testes que medem o que a consulta sozinha não mostra.
- Consulta ortopédica: com o Dr. Natan Arnoni, ortopedista com atuação em joelho, que define o diagnóstico e se o caso pede tratamento conservador ou outro caminho.
- Testes e avaliações (abre em nova aba): dinamometria (VALD), que compara a força entre as pernas; baropodometria, que analisa a pisada; teste de salto; FMS, que avalia padrões de movimento; e análise biomecânica da corrida.
- Fisioterapia (abre em nova aba): reabilitação, fortalecimento e retorno progressivo à corrida, com reavaliações ao longo do processo.
- Ondas de choque (abre em nova aba): opção de tratamento para casos como tendinopatia do Aquiles e fascite plantar, conforme avaliação médica.
O objetivo é simples: entender por que a dor apareceu, tratar a causa e devolver você aos treinos com um plano claro.
Perguntas frequentes
Posso continuar correndo com dor? Depende do tipo de dor. Um desconforto leve, que não muda sua passada e melhora no dia seguinte, costuma permitir treino com volume reduzido. Dor que piora durante a corrida, dor no osso ou dor em repouso pedem pausa e avaliação.
Canelite passa sozinha? Pode melhorar com redução do volume, mas tende a voltar se a carga subir de novo sem ajuste. Se a dor fica concentrada num ponto do osso, é preciso descartar fratura por estresse.
Preciso de um tênis específico para não me machucar? Não existe um tênis que previna lesões para todo mundo. O mais importante é o conforto e fazer qualquer troca de modelo de forma gradual.
Quando vale fazer uma avaliação de corrida? Ao começar a correr, ao se preparar para uma prova longa, depois de uma lesão ou quando a mesma dor volta com frequência.
A Pro Esporte atende convênio? O atendimento é particular, com documentação para pedir reembolso ao plano de saúde. A equipe orienta sobre o processo.
Agende sua avaliação
Se uma dor está atrapalhando seus treinos, ou se você quer se preparar para a próxima prova com mais segurança, fale com a equipe da Pro Esporte.
Rua Jurubatuba, 1350, Sala 1009, Centro, São Bernardo do Campo/SP. Telefone (11) 2564-8058 ou WhatsApp (11) 97898-0505 (abre em nova aba).
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.
Referências
- Kakouris N, Yener N, Fong DTP. A systematic review of running-related musculoskeletal injuries in runners (abre em nova aba). Journal of Sport and Health Science, 2021.
- Schuster Brandt Frandsen J et al. How much running is too much? Identifying high-risk running sessions in a 5200-person cohort study (abre em nova aba). British Journal of Sports Medicine, 2025.
- Videbæk S et al. Incidence of running-related injuries per 1000 h of running in different types of runners: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine, 2015 (dados citados em Barbell Medicine (abre em nova aba)).
- Resumo sobre treino de força e prevenção em corredores: Marathon Handbook (abre em nova aba).
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