Dor no calcanhar pode ser fascite plantar? Sintomas, causas e tratamento
Na Pro Esporte, esse é um dos motivos de consulta mais frequentes entre pacientes ativos ou que passam muitas horas em pé.

Dor no calcanhar pode ser fascite plantar? Sintomas, causas e tratamento
Resposta rápida: se os primeiros passos do dia doem no calcanhar, a suspeita mais comum é a fascite plantar. Ela acontece quando a fáscia plantar, uma faixa de tecido que vai do calcanhar até os dedos e sustenta o arco do pé, sofre desgaste por excesso de carga [1]. O tratamento costuma começar sem cirurgia, com fortalecimento, fisioterapia e ajuste de carga [7, 8]. Na Pro Esporte, esse é um dos motivos de consulta mais frequentes entre pacientes ativos ou que passam muitas horas em pé.
Neste artigo, explicamos em linguagem simples o que causa a dor, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos têm comprovação científica. No fim do texto estão os estudos que usamos.
Sintomas e causas
A dor costuma ser uma fisgada perto do calcanhar, mais forte ao acordar ou depois de um tempo parado. Ela melhora com a movimentação, mas volta após corrida ou longos períodos em pé. Também pode doer ao apertar a parte de dentro do calcanhar.
Apesar do nome, a fascite plantar não é bem uma inflamação. Pesquisadores analisaram o tecido de 50 pacientes operados e encontraram fibras desgastadas e desorganizadas, sem sinais de inflamação [1]. Por isso, muitos especialistas preferem o nome fasciopatia plantar.
O problema geralmente surge da combinação de sobrecarga com algum fator de risco. Os estudos mostram associação com excesso de peso, muitas horas em pé, tornozelo pouco flexível e idade mais avançada [11]. Na prática, também vemos com frequência mudança brusca no treino, calçado inadequado e panturrilha encurtada.
E o esporão do calcâneo?
O esporão é uma pequena ponta de osso no calcanhar, que aparece no raio-X. Ele é mais comum em quem tem dor no calcanhar [2], mas também é encontrado em pessoas sem dor [9]. Por isso, o esporão no exame, sozinho, não explica a dor nem define o tratamento.
Como é feito o diagnóstico
A consulta começa pelo histórico da dor e pelo exame físico, testando os pontos de sensibilidade do calcanhar. Na Pro Esporte, também solicitamos exames de imagem para confirmar o diagnóstico e descartar outras causas, como fratura por estresse, nervo comprimido ou dor que vem da coluna [8]. No ultrassom, uma fáscia com mais de 4 mm de espessura indica o problema [2].
Tratamento: o que a ciência mostra
O primeiro passo
- Fortalecer o pé e a panturrilha: um estudo comparou alongamento com um exercício de subir na ponta do pé com uma toalha enrolada embaixo dos dedos. Quem fez o fortalecimento melhorou mais rápido nos primeiros 3 meses [7].
- Fisioterapia: técnicas manuais, alongamento, bandagem e palmilhas são recomendadas pelas diretrizes internacionais [8].
- Ajustar a carga: rever o volume de treino, o tempo em pé e o calçado.
Infiltração
A infiltração com corticoide pode aliviar a dor por algumas semanas. Em um estudo com 83 pacientes, quem recebeu a infiltração guiada por ultrassom teve menos dor após 4 semanas do que quem recebeu soro [12]. Como o efeito é de curto prazo, ela costuma ser usada para permitir que o paciente avance na reabilitação, e a indicação é sempre individual.
Ondas de choque
A terapia por ondas de choque aplica pulsos sonoros de alta energia sobre o ponto de dor, por fora da pele, sem corte, agulha ou anestesia. A hipótese mais aceita é que esses pulsos estimulam a recuperação do tecido e diminuem a sensação de dor. Na Pro Esporte usamos a tecnologia DolorClast.
O que os estudos mostram:
- Em um estudo com 245 pacientes com dor havia muito tempo, 61% dos que fizeram ondas de choque tiveram sucesso no tratamento. No grupo que recebeu um aparelho desligado (placebo), foram 42% [3].
- Em pacientes com dor havia pelo menos 6 meses e que já tinham tentado quatro tratamentos sem sucesso, houve melhora em 50% a 65% dos casos [4].
- Uma revisão com 9 estudos e 935 pacientes concluiu que quem faz ondas de choque tem cerca de 2,5 vezes mais chance de melhorar do que quem recebe placebo [5].
- Um estudo de 2024 com 200 pacientes mostrou outro lado: quando todos já recebiam orientação e palmilhas sob medida, somar as ondas de choque não trouxe melhora adicional [6].
Por isso, as ondas de choque são indicadas principalmente quando a dor continua por mais de 3 a 6 meses, mesmo com o tratamento básico bem feito [3, 4]. Nos estudos, foram usadas de 2 a 3 sessões, uma por semana [3, 10].
É seguro?
Os efeitos mais relatados são um incômodo durante a aplicação e vermelhidão passageira. A terapia não é indicada para gestantes, pessoas com problemas de coagulação ou que usam anticoagulantes, nem quando há infecção ou tumor no local. Por isso a consulta médica vem antes da primeira sessão.
Quando procurar um ortopedista
Vale marcar consulta quando a dor passa de duas semanas, não melhora com repouso ou atrapalha as atividades do dia a dia. Procure avaliação antes disso se a dor começou após uma pancada ou torção, ou se vier com formigamento, dormência ou inchaço.
Tratamento de fascite plantar em São Bernardo do Campo
Na Clínica Pro Esporte, tudo começa com uma consulta ortopédica com a equipe do Dr. Natan Arnoni (abre em nova aba). O objetivo é confirmar o diagnóstico e descartar outras causas de dor. Depois, o tratamento segue o que a ciência recomenda:
- Diagnóstico: exame clínico e exames de imagem.
- Avaliação do movimento: testes de força, pisada e corrida (abre em nova aba) para entender a causa da sobrecarga.
- Reabilitação: fisioterapia (abre em nova aba) com fortalecimento progressivo e ajuste de treino e rotina.
- Recursos complementares, quando indicados: infiltração e ondas de choque (abre em nova aba).
A Clínica Pro Esporte fica na Rua Jurubatuba, 1350, sala 1009, no Centro de São Bernardo do Campo.
Agende sua avaliação: WhatsApp (11) 97898-0505 (abre em nova aba) ou telefone (11) 2564-8058.
Perguntas frequentes sobre fascite plantar
Fascite plantar tem cura? Os estudos mostram melhora importante com tratamento sem cirurgia. Em um estudo com 200 pacientes, a dor diminuiu de forma relevante em todos os grupos ao longo de um ano [6]. O tempo de recuperação varia de pessoa para pessoa.
Posso continuar correndo? Depende da intensidade da dor. O mais comum é reduzir o impacto por um tempo e retomar aos poucos, com orientação profissional.
Preciso usar palmilha? As palmilhas fazem parte das recomendações das diretrizes internacionais [8], mas a indicação precisa ser individual.
Posso fazer musculação? Pode, desde que os exercícios não sobrecarreguem diretamente o calcanhar. O fortalecimento da panturrilha, inclusive, faz parte do tratamento [7].
Onda de choque funciona para fascite plantar? Os estudos mostram benefício principalmente em quem tem dor há meses e já tentou outros tratamentos [3, 4]. Para quem está começando, exercício e ajuste de carga vêm primeiro [6].
O esporão precisa ser operado? A indicação de cirurgia depende de cada caso e é definida na consulta ortopédica. O esporão pode aparecer junto com a fascite plantar, mas também é encontrado em pessoas sem dor [2, 9].
Qual médico procurar? O ortopedista faz o diagnóstico e indica o tratamento mais adequado.
Onde tratar fascite plantar em São Bernardo do Campo? Na Clínica Pro Esporte, no Centro de SBC, a consulta ortopédica, a fisioterapia e as ondas de choque são feitas no mesmo local.
Referências
- Lemont H, Ammirati KM, Usen N. Plantar fasciitis: a degenerative process (fasciosis) without inflammation (abre em nova aba). J Am Podiatr Med Assoc. 2003;93(3):234-7.
- McMillan AM, Landorf KB, Barrett JT, Menz HB, Bird AR. Diagnostic imaging for chronic plantar heel pain: a systematic review and meta-analysis (abre em nova aba). J Foot Ankle Res. 2009;2:32.
- Gerdesmeyer L, Frey C, Vester J, et al. Radial extracorporeal shock wave therapy is safe and effective in the treatment of chronic recalcitrant plantar fasciitis (abre em nova aba). Am J Sports Med. 2008;36(11):2100-9.
- Gollwitzer H, Saxena A, DiDomenico LA, et al. Clinically relevant effectiveness of focused extracorporeal shock wave therapy in the treatment of chronic plantar fasciitis (abre em nova aba). J Bone Joint Surg Am. 2015;97:701-8.
- Sun J, Gao F, Wang Y, et al. Extracorporeal shock wave therapy is effective in treating chronic plantar fasciitis: a meta-analysis of RCTs (abre em nova aba). Medicine (Baltimore). 2017;96(15):e6621.
- Heide M, Røe C, Mørk M, et al. rESWT, sham-rESWT or a standardised exercise programme in combination with advice plus customised foot orthoses versus advice plus orthoses alone in plantar fasciopathy: a double-blind, randomised, sham-controlled trial (abre em nova aba). 2024.
- Rathleff MS, Mølgaard CM, Fredberg U, et al. High-load strength training improves outcome in patients with plantar fasciitis: a randomized controlled trial with 12-month follow-up (abre em nova aba). Scand J Med Sci Sports. 2015;25(3):e292-300.
- Koc TA, Bise CG, Neville C, et al. Heel pain – plantar fasciitis: revision 2023 (abre em nova aba). J Orthop Sports Phys Ther. 2023;53(12):CPG1-CPG39.
- Kirkpatrick J, Yassaie O, Mirjalili SA. The plantar calcaneal spur: a review of anatomy, histology, etiology and key associations (abre em nova aba). J Anat. 2017.
- Ibrahim MI, Donatelli RA, Hellman M, et al. Long-term results of radial extracorporeal shock wave treatment for chronic plantar fasciopathy: a prospective, randomized, placebo-controlled trial with two years follow-up (abre em nova aba). J Orthop Res. 2017.
- Heide M, Mørk M, Røe C, et al. The effectiveness of rESWT, sham-rESWT, standardised exercise programme or usual care for patients with plantar fasciopathy: study protocol (abre em nova aba). 2020.
- Trojian T, Tucker AK. Plantar fasciitis (abre em nova aba). Am Fam Physician. 2019;99(12):744-750.
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